Zika vírus e microcefalia

O Brasil apresentou no ano de 2016 um grande aumento do número de casos de microcefalia em recém-nascidos, os quais se mostraram estar relacionados com a emergência do Zika vírus (ZIKV). Até o mês de outubro de 2016 foram confirmados mais de dois mil casos de microcefalia ou alterações do sistema nervoso central sugestivo de infecções congênitas. Diante do aumento dos casos nos ultimos anos, o estado declarou emergência em saúde pública em novembro de 2015, a fim de facilitar o avanço das investigações que são desempenhadas conjuntamente pelas secretarias estaduais e municípios de saúde. Os casos que foram massivamente localizados no nordeste do país, predominando no estado de Pernambuco, seguido por Paraíba e Bahia hoje já são reportados por grande parte do Brasíl.

O Zika vírus é uma arbovirose transmitida pela picada do mosquito vetor Aedes aegypti, assim como o vírus da Dengue e Chikungunya. A doença apresenta sintomas como dores de cabeça, febre, mal-estar, artralgia, dentre outros. Geralmente são sintomas autolimitados de curta duração (3-7 dias) e podem ser confundidos com outras infecções como Dengue,Chikungunya e Febre de Oropouche. O diagnóstico laboratorial de ZIKV baseia-se principalmente na detecção de RNA viral a partir de espécimes clínicos. O primeiro isolamento do vírus foi reportado em abril de 1947 em amostras de soros de macacos Rhesus e posteriormente em um lot de A. africanus em 1948 por G.W.A. DICK do Instituto Nacional de Pesquisa Médica em Londres. O vírus recebeu o nome de Zika vírus devido ao local onde foi isolado, Floresta Zika, Uganda.  Dentre os anos de 2013 e 2014 foi reportado um surto na Polinésia Francesa, durante o qual foi também relatado um aumento de problemas neurológicos em recém-nascidos em áreas relacionadas ao surto desse vírus.

A microcefalia caracteriza-se por uma má-formação congênita no desenvolvimento do cérebro (perímetro cefálico menor que 32 cm) decorrente de diversos fatores, tais como agentes biológicos e substâncias químicas. Nos casos ocorridos recentemente, as gestantes cujos bebês desenvolveram a microcefalia geralmente apresentaram sintomatologia da infecção por Zika virus no primeiro trimestre de gravidez. A associação da infecção com os casos de microcefalia surgiram a partir de evidencias epidemiológicas marcadas pelo aumento do número de casos posterior ao surto de Zika. Em seguida, houve a detecção do vírus em amostras de tecido e sangue de uma recém-nascida no Pará portadora da má-formação congênita. Os resultados desses exames foram disponibilizados pelo Instituto Evandro Chagas, órgão do ministério da saúde em Belém (PA). A partir das análises realizadas na recém-nascida, que veio posteriormente a óbito, o Ministério da Saúde confirmou a relação do vírus com a microcefalia. Recentemente, alguns outros meios de transmissão do vírus vem sendo demonstrado  assim como a relação do vírus com outras anomalias do sistema nervoso central.

Mesmo não havendo tratamento específico, devido as diversas complicações que a má-formação acarreta, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece suporte com o objetivo de auxiliar o desenvolvimento dos recém-nacidos e crianças que apresentem a má-formação congênita.

O combate ao mosquito vetor é a principal medida de prevenção contra a infecção pelo vírus. Nichos de água parada, tais como, latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos, dentre outros devem ser verificados. Além disso, a utilização de repelentes, telas de proteção, mosquiteiros e roupas  compridas ajuda a previnir o contato com o mosquito transmissor e são medidas indicadas pelo Ministério da Saúde, particularmente para gestantes. Para os profissionais da saúde cabe a orientação às gestantes sobre as medidas individuais e coletivas de proteção e combate ao mosquito Aedes aegypti. O ministério da Saúde orienta também para que os profissionais de saúde se atentem para uma cuidadosa avaliação da idade gestacional e do perímetro cerebral dos bebês. Casos suspeitos de microcefalia devem ser notificados no registro de nascimento através do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC), a fim de facilitar as medidas a serem desempenhadas pelos órgãos responsáveis.

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